Reflorestadores Voluntários promovem oficina de monitoramento e cuidado com áreas em restauração nos corredores ecológicos da APA de Campinas, ligadas à Mata Núcleo do plano de Manejo a Mata Ribeirão Cachoeira.

Por Isabela Kojin Peres

Quando plantamos uma muda de árvore, estamos plantando uma floresta? E quando essas mudas crescem, suas copas começam a se encontrar e outras plantas surgem espontaneamente, em que momento podemos dizer que ali existe uma floresta?

Essas perguntas nos convidam a olhar para a restauração ecológica para além do plantio de árvores. Uma floresta não é simplesmente um conjunto de árvores. A Mata Ribeirão Cachoeira é a prova viva de uma floresta que venceu o tempo e guarda exemplares de árvores centenárias que abrigam uma fauna diversa e rica. É uma comunidade viva, formada por inúmeras espécies e pelas relações que estabelecem entre si, com o solo, a água, o clima e o território. (Leia o texto de Isabela Kojin Peres “Qual floresta? Considerações sobre a restauração florestal no contexto de crise global https://drive.google.com/file/d/1u3TLnCw6AfwcM0DWy2d4Rj-GzK3QFIlR/view?usp=sharing 

Grande parte das florestas que conhecemos hoje passou, em algum momento, por processos de perturbação e regeneração. São as chamadas florestas secundárias, que se desenvolvem após alterações ou supressões da vegetação original. Longe de serem florestas de menor importância, elas desempenham funções fundamentais para a conservação da biodiversidade, a proteção do solo e das águas, a regulação do clima e a conectividade entre fragmentos florestais. São também expressões da extraordinária capacidade de regeneração da natureza, embora sua recuperação dependa das condições ambientais e das pressões a que estão submetidas.

Restaurar, portanto, não significa simplesmente reconstruir uma floresta a partir de um modelo previamente definido. Significa também criar condições para que a vida se reorganize, reconhecendo e favorecendo os processos ecológicos que já estão acontecendo.

Essa perspectiva nos convida a uma mudança importante: deixar de olhar para a floresta apenas como um objeto de intervenção humana e reconhecê-la também como sujeito, com suas próprias dinâmicas, relações e capacidades de regeneração. Afinal, quem restaura uma floresta? Apenas as pessoas que plantam e cuidam das mudas? Ou também as aves que dispersam sementes, os fungos que participam da ciclagem de nutrientes, os insetos, as árvores e tantos outros seres que tornam possível a regeneração?

Foi a partir de reflexões como essas, desenvolvidas na pesquisa de doutorado de Isabela Kojin Peres sobre participação, educação ambiental e restauração da Mata Atlântica, que nasceu a proposta de uma nova atividade dos Reflorestadores Voluntários.

No dia 14 de novembro, das 9h às 13h, a APAVIVA realizará a oficina vivencial “Detetives da Floresta – Conexão Florestal”, nos corredores ecológicos previstos no Plano de Manejo da APA e em processo de restauração. As áreas são extensão da Mata Ribeirão Cachoeira, que é a maior e por isso considerada área NÚCLEO de onde partem as conexões na Área de Proteção Ambiental (APA) de Campinas.

A proposta é retornar às áreas onde realizamos plantios para observar como as árvores estão se desenvolvendo, identificar sinais de regeneração natural, avaliar as necessidades de manejo e realizar ações coletivas de cuidado.

Mais do que verificar quantas mudas sobreviveram, queremos aprender a ler os sinais da floresta: perceber as novas plantas que surgem, a formação de sombra, a presença de animais, a cobertura do solo e as interações que indicam a recuperação do ecossistema.

A atividade também será um espaço de aprendizagem e reflexão coletiva. Quando precisamos intervir? Quando é melhor deixar a natureza agir? O que podemos aprender com a floresta e com os conhecimentos das diferentes pessoas que participam desse processo?

Essas perguntas expressam uma compreensão da restauração como prática não apenas ecológica, mas também educativa e política. A participação não se limita a reunir pessoas para plantar árvores ou executar tarefas. Ela pode envolver a construção compartilhada de conhecimentos, a tomada coletiva de decisões, o fortalecimento dos vínculos com o território e a responsabilidade continuada pelo cuidado com a vida.

Porque restaurar uma floresta também pode transformar a maneira como nos relacionamos com ela.

E talvez uma das descobertas mais importantes desse processo seja perceber que, enquanto cuidamos da regeneração da floresta, também podemos aprender a regenerar nossas relações com a natureza e entre nós.

Venha aprender e cuidar com a gente!

🌱 Oficina Detetives da Floresta — Monitoramento participativo e cuidado com a restauração ecológica

📅 14 de novembro de 2026 (sábado)
⏰ 9h às 13h
📍 Entorno da Mata Ribeirão Cachoeira — APA de Campinas
📝 Inscrições: https://forms.gle/sS2Vv8hSdUy5VyFe6

Reflorestadores Voluntários | APAVIVA