No dia 5 de setembro de 2026, foi realizada a Oficina de Observação e Registro de Natureza, no Bosque Ferdinando Tilli, também conhecido como Bosque do Valença, em Campinas. Promovida pelo projeto “Eu Rio, Vivo! – pelos direitos do Rio Atibaia”, realizado pela APAVIVA, a oficina reuniu 15 participantes interessados em aprender técnicas de observação e registro de elementos naturais, além de compartilhar experiências e refletir sobre a conservação das áreas verdes urbanas.

A atividade começou com uma conversa sobre a importância de observar atentamente a natureza antes de registrá-la, refletindo também sobre a necessidade de respeitá-la durante esse processo. Em seguida, os participantes foram convidados a fechar os olhos para direcionar a atenção aos sons presentes no parque. O primeiro desafio foi perceber os sons produzidos pelas pessoas e identificar como a presença humana se manifesta naquele espaço. Depois, o exercício foi repetido com o objetivo de direcionar a atenção aos sons não humanos, como o canto e o voo das aves e o farfalhar das folhas.
Ao final da atividade, os participantes compartilharam percepções, dúvidas e dificuldades encontradas durante o exercício. As experiências mostraram que, mesmo em uma atividade breve, a atenção aos sons de uma área verde foi suficiente para despertar uma nova percepção sobre a riqueza natural que permanece presente na paisagem urbana de Campinas.
Na sequência, a oficina seguiu com uma caminhada pelo parque. Durante o percurso, os participantes foram estimulados a perceber o espaço utilizando diferentes sentidos. A atividade possibilitou observar a textura dos troncos das árvores, brotos em ramos de diferentes plantas, a movimentação de insetos e lagartos e diversas espécies de aves, como saíra-de-chapéu-preto, saracura-três-potes, gavião-carijó, risadinha e sanhaçu-cinzento.
A programação continuou com uma conversa sobre fotografia, na qual os participantes puderam trocar experiências, memórias e dicas relacionadas ao registro da natureza. Foram abordadas técnicas de enquadramento e composição, uso da luz, equipamentos fotográficos e diferentes formas de expressar, por meio das imagens, o olhar e a intenção de quem fotografa.
Em seguida, os participantes tiveram um momento de exploração pelo parque, com a missão de realizar registros fotográficos a partir do que encontrassem durante a observação. A proposta era colocar em prática as técnicas discutidas anteriormente e experimentar diferentes formas de registrar aquilo que havia despertado sua atenção.
Na roda de encerramento, o grupo compartilhou as experiências vivenciadas durante a oficina e discutiu a importância das áreas verdes urbanas, os desafios para sua conservação e a necessidade de garantir o acesso da população a esses espaços. A conversa também retomou uma das questões centrais do projeto “Eu Rio, Vivo!”: o reconhecimento dos elementos da natureza como sujeitos de direitos.

A diversidade de experiências e percepções compartilhadas ao longo da atividade mostrou que diferentes pessoas podem encontrar pontos de convergência na relação com a natureza. Mais do que aprender técnicas de observação e fotografia, a oficina criou um espaço para fortalecer vínculos, compartilhar conhecimentos e refletir coletivamente sobre a conservação das áreas verdes e a defesa dos direitos da natureza.