Após encontros que reuniram comunicação popular, arte, leitura crítica da mídia e relações com os rios, iniciativa leva formação para espaços e coletivos que já atuam nos territórios da bacia do Atibaia

Comunicar o território também é uma forma de cuidar dele. É a partir dessa perspectiva que o projeto Eu Rio, Vivo! Pelos direitos do Atibaia amplia suas ações de formação em educomunicação e passa a desenvolver oficinas em diferentes espaços e junto a coletivos que atuam diretamente nas comunidades de Campinas.

A nova etapa dá continuidade às experiências realizadas no curso “Fala, rio! Educom para jovens”, que reuniu participantes na Estação Cultura de Campinas para uma formação voltada à comunicação popular, à educação ambiental e à construção de novas narrativas sobre os territórios e as águas.

Nos primeiros encontros, os participantes foram convidados a olhar criticamente para a comunicação presente no cotidiano. Entre os temas trabalhados estiveram a circulação de informações e as fake news, a leitura crítica da mídia e as diferentes possibilidades de produzir e compartilhar narrativas sobre questões socioambientais.

A formação também incorporou a arte como ferramenta de comunicação. Em uma das atividades, conduzida pelo professor Sílvio Ayala, o grupo conheceu diferentes formas de expressão visual, passando por referências históricas do desenho e das histórias em quadrinhos e chegando a linguagens urbanas contemporâneas. Stencil, grafite, colagem e outras formas de produção visual fizeram parte das experiências práticas.

A diversidade do próprio grupo também se tornou um elemento importante da formação. Jovens e pessoas de diferentes gerações compartilharam experiências, conhecimentos e percepções sobre a cidade, os territórios e as águas. O encontro entre diferentes trajetórias reforçou uma das perspectivas do projeto: a comunicação pode ser construída de maneira coletiva, valorizando saberes e experiências que muitas vezes ficam fora das narrativas tradicionais sobre a cidade.

Outro momento da formação foi dedicado ao tema “Rios e territórios”, aproximando os participantes das relações entre o Rio Atibaia, seus afluentes, as comunidades e as diferentes culturas presentes na bacia. A proposta partiu das experiências das próprias pessoas participantes para discutir memória, pertencimento, território e as diversas formas pelas quais os rios atravessam a vida cotidiana.

Formação que chega aos territórios

Agora, o Fala, rio! inicia uma nova frente de atuação. Em vez de concentrar as atividades em um único espaço, as próximas oficinas serão realizadas em diferentes locais e articuladas com coletivos e iniciativas que já desenvolvem ações em seus territórios.

A primeira delas aconteceu nesta sexta-feira, 2 de outubro, na Casa Maria de Nazaré – Unidade Casa dos Anjos, em Campo Grande, Campinas. A oficina será realizada das 13h às 17h e teverá como proposta apresentar ferramentas acessíveis de comunicação e produção de narrativas para jovens interessados em falar sobre seus territórios e contribuir para sua transformação.

O encontro vai trabalhar temas como produção audiovisual, mapeamento territorial e linguagens urbanas, relacionando essas ferramentas à defesa dos territórios e do Rio Atibaia.

A atividade é voltada prioritariamente para jovens de 14 a 29 anos, mas pessoas com mais de 29 anos que já estejam envolvidas com iniciativas e ações em seus territórios também podem participar. A oficina é gratuita e contará com certificado e lanche.

A realização conta com a articulação de iniciativas como Quebrada em Movimento e Na Viela, além da participação de coletivos e projetos que já desenvolvem ações nos territórios, ampliando a conexão entre comunicação, cultura, juventude e mobilização comunitária.

Comunicação como ferramenta de participação

A proposta parte de uma compreensão da educomunicação que vai além do aprendizado técnico de produzir vídeos, imagens ou outros conteúdos. A ideia é utilizar a comunicação como ferramenta para ler o território, registrar suas histórias, fortalecer vínculos, expressar demandas e disputar as narrativas sobre os lugares onde as pessoas vivem.

Nesse sentido, aprender a produzir uma imagem, realizar um registro audiovisual, construir um mapa ou experimentar uma linguagem urbana também pode significar encontrar novas maneiras de apresentar os problemas e as potências de uma comunidade.

Para o projeto Eu Rio, Vivo, essa dimensão é especialmente importante quando se trata da bacia do Atibaia. Os rios não são apenas elementos da paisagem: estão relacionados às histórias das comunidades, às manifestações culturais, às formas de ocupação do território, às desigualdades socioambientais e às diferentes relações estabelecidas pelas pessoas com as águas.

Ao levar as oficinas para diferentes espaços e coletivos, o projeto busca justamente aproximar essas ferramentas de quem já conhece e atua nesses territórios, fortalecendo o protagonismo juvenil, a comunicação popular e a formação de novos educomunicadores.

A oficina de 2 de outubro será, portanto, o início de uma nova sequência de atividades. Os próximos encontros serão divulgados posteriormente, com ações construídas em diálogo com diferentes espaços, coletivos e iniciativas de Campinas.

A proposta é que cada oficina seja também um ponto de encontro entre comunicação, cultura, educação ambiental e participação social — criando condições para que mais pessoas possam contar, a partir de suas próprias experiências, as histórias dos territórios e dos rios que fazem parte de suas vidas. As próximas oficinas e os respectivos locais e coletivos parceiros serão divulgados pelo projeto. 

Serviço

Fala, rio! – Educom para jovens
Oficina: audiovisual, mapeamento territorial e linguagens urbanas
📅 2 de outubro de 2026, sexta-feira
🕐 Das 13h às 17h
📍 Casa Maria de Nazaré – Unidade Casa dos Anjos, Campo Grande, Campinas (SP)
💰 Gratuito
🎓 Com certificado e lanche