A proteção dos últimos remanescentes florestais da APA de Campinas é uma das principais causas da APAVIVA. Essas matas protegem a biodiversidade, as águas e as nascentes e funcionam como abrigo e passagem para a fauna. Por isso, causa preocupação a discussão sobre a reabertura da CAM-355, cujo traçado atravessa o remanescente da Fazenda Iracema.

Não se trata de uma mata qualquer. O Plano de Manejo da APA reconhece a Fazenda Iracema como um dos fragmentos considerados na estrutura de conectividade da paisagem, com aproximadamente 715 mil m² de área e 388 mil m² de área núcleo.

A própria área de Unidades de Conservação recomendou não passar a estrada pela mata

Em maio de 2026, a Manifestação nº 26/2026-UC, inserida no processo SEI da Prefeitura PMC.2026.00034323-62, analisou justamente a CAM-355.

A manifestação técnica classificou como ponto de maior gravidade a passagem da estrada pelo fragmento estruturador da Fazenda Iracema. Alertou para perda de habitat, efeito-barreira, atropelamentos de fauna, poluição, espécies invasoras e risco de incêndios.

Sua conclusão foi clara: a CAM-355 não deveria ser refeita no mesmo traçado, pois isso implicaria supressão e fragmentação da vegetação. O documento ainda registra que a SP Águas havia apresentado outro traçado, sem sobreposição à CAM-355, capaz de atender às propriedades afetadas pela Barragem de Pedreira.

Ao final, a área de Unidades de Conservação recomenda expressamente alterar o traçado para não fragmentar o remanescente florestal.

Então, por que outro parecer concluiu que não há óbice ambiental?

Pouco mais de dois meses depois, o PTA nº 019/2026-CSV, também da SECLIMAS, adotou entendimento diferente e concluiu que “não se vislumbra óbice ambiental à reabertura da CAM-355”.

É justamente essa mudança de entendimento que precisa ser esclarecida.

Se a própria área técnica de Unidades de Conservação recomendou preservar o fragmento e existe alternativa de acesso, por que voltar a discutir uma estrada através da mata?

Reconectar ou fragmentar?

A contradição é ainda maior porque o próprio Município já trabalhou, com CONGEAPA e Ministério Público, na identificação de áreas para utilizar as compensações da Barragem de Pedreira na recuperação de APPs e corredores ecológicos da APA – PTA 13/2029 – UC .https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1uwB4MN6SCJWqCUtyi_iMftz8NYBbysfD

Esses corredores existem justamente para reconectar os remanescentes florestais, formar habitat para a fauna e proteger os recursos hídricos.

Então permanece uma pergunta fundamental:

Como justificar investimentos e compensações ambientais para reconectar as florestas da APA enquanto se considera abrir uma estrada capaz de fragmentar um de seus remanescentes estruturadores?

Para a APAVIVA, preservar as matas que ainda permanecem em pé deve ser prioridade. Antes de atravessar um remanescente protegido, é preciso demonstrar que não existe alternativa ambientalmente menos prejudicial — principalmente quando a própria área técnica da Prefeitura já apontou que essa alternativa existe.

Esse é o ponto que precisa ser respondido com transparência antes de qualquer decisão sobre a CAM-355.