Iniciativa articula educação ambiental, cultura, juventude e educomunicação na construção de novas narrativas sobre o Rio ATIBAIA, como sujeito de direitos em Campinas
Duas atividades realizadas em março de 2026, em Campinas (SP), marcaram o início do projeto “Eu Rio, Vivo: Pelos Direitos do Atibaia”, iniciativa voltada à bacia do Rio Atibaia que articula educação ambiental, mobilização social e produção de narrativas sobre o território. Com ações que combinam restauração ecológica e intervenção cultural, o projeto aposta na educomunicação como estratégia de formação, engajamento comunitário e fortalecimento de juventudes.
No dia 1º de março, uma área próxima à sede da APAVIVA, na envoltória da Mata Ribeirão Cachoeira (Mata RC), recebeu uma ação de plantio às margens do Ribeirão Cachoeira, afluente do Atibaia. Realizada em parceria com o projeto Reflorestadores Voluntários, que objetiva formar os corredores ecológicos que conectam os principais fragmentos florestais a partir da Mata RC, a atividade resultou na introdução de mais de 300 mudas de espécies nativas regionais, contribuindo para a recuperação da mata ciliar de uma nascente.
Além do plantio, o encontro teve caráter formativo, com discussões sobre a importância da restauração florestal para a preservação de nascentes e a manutenção das bacias hidrográficas. Os participantes refletiram sobre a relação entre cobertura vegetal, infiltração da água no solo e segurança hídrica, conectando prática e conhecimento em uma perspectiva de educação ambiental crítica.
A atividade também incorporou uma dimensão educomunicativa, com a realização de entrevistas com participantes. O material irá compor um documentário em produção no âmbito do projeto, voltado à construção de novas narrativas sobre O Rio Atibaia como sujeito de direito e da formação de uma rede de iniciativas socioambientais que atuam em sua defesa — com atenção especial à escuta e ao protagonismo das juventudes envolvidas.
Estiveram presentes a vereadora Mariana Conti e a deputada federal Sâmia Bomfim, autora da emenda parlamentar que viabiliza o projeto, reforçando a articulação entre poder público e iniciativas da sociedade civil.
Essa foi a 4a edição da intervenção chamada “Reflorestadores Voluntários” que já mobilizou mais de 200 pessoas e plantou 1100 mudas em quase 7 mil metros quadrados.
Cultura, território e mobilização no Dia Mundial da Água
O segundo momento ocorreu no dia 22 de março, em referência ao Dia Mundial da Água, e marcou o lançamento oficial do projeto. A atividade foi realizada na Praça Beira Rio, no distrito de Sousas, às margens do Rio Atibaia, reunindo moradores, coletivos e instituições em uma intervenção pública voltada ao diálogo com a população.
A ação teve como realizadores o projeto Eu Rio, Vivo e a APAVIVA, em articulação com diferentes parceiros, com destaque para o Afoxé Ilê Ogun, responsável pela mobilização cultural, e a Associação de Remo de Campinas, que atua diretamente no território do rio.
Com apresentações musicais e manifestações culturais de matriz africana, como o afoxé, a atividade trouxe à cena a dimensão simbólica e cultural da relação com o rio, ampliando os sentidos da educação ambiental para além da perspectiva ecológica. A diversidade de participantes e expressões reforçou a proposta de construir um diálogo plural sobre o Rio Atibaia e seu território, com forte presença e participação de jovens.
Mais do que um evento pontual, a intervenção se configurou como um espaço de encontro, escuta e mobilização, aproximando diferentes sujeitos sociais — especialmente as juventudes — em torno da defesa dos bens comuns e da valorização das águas.
Formação, juventude e novas narrativas sobre o rio
As duas atividades marcam o início de um ciclo de ações do projeto “Eu Rio, Vivo”, que prevê o desenvolvimento de processos formativos voltados à educação ambiental, à educomunicação e à formação de lideranças jovens no território da bacia do Rio Atibaia.
Ao articular práticas ecológicas, produção cultural e comunicação, o projeto busca fortalecer a participação social e o protagonismo das juventudes, incentivando a construção de narrativas contra-hegemônicas sobre os rios urbanos. A proposta valoriza os saberes locais, os vínculos comunitários e o pertencimento ao território como bases para a ação coletiva.
Nesse sentido, o “Eu Rio, Vivo” aponta para uma abordagem integrada, em que cuidar do rio também significa disputar sentidos, formar sujeitos políticos e afirmar outras formas de relação com a água, com a cidade e com o futuro.