Licitação desastrada da Sanasa expõe interesses misteriosos na construção da Barragem de Sousas

Com R$ 5 milhões em recursos da Caixa Econômica Federal, através do Programa de Fundo de Garantia (FGTS), a Sanasa publica o Edital de Licitação 14/2020, que contempla os estudos iniciais para a construção da Barragem de Sousas. O objeto da licitação é a prestação de serviços de engenharia para desenvolver estudos de viabilidade e alternativas do chamado Sistema Adutor e Barramento e seu Sistema no Rio Atibaia (sic), além de projetos básicos e estudos ambientais. No mesmo edital está prevista a visita técnica ao local, onde serão prestados os serviços referentes à sua execução.

A construção poderia ser outro lugar de Campinas, mas a Prefeitura de Campinas insiste em destruir a APA de Campinas

O local indicado no edital foi considerado inadequado pelo Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (CONGEAPA), por abrigar propriedades economicamente produtivas, ambientalmente corretas, ricas em patrimônio histórico e socialmente equilibrada.

Não há qualquer estudo técnico que justifique a insistência da Sanasa e do governo municipal em promover o alagamento da Fazenda Espírito Santo (FESA), principal alvo do dilúvio. Em momento algum consideraram locais alternativos, com menor impacto econômico-social, cultural  e ambientalmente aceitáveis.


Escolha do local é mistério

A objetivo do edital, revela parcialidade e direcionamento com fins, no mínimo, misteriosos. Um edital transparente e coerente com a realidade deveria inicialmente promover a indicação de locais alternativos e, quando tecnicamente escolhido, realizar os estudos de viabilidade.

Especulação Imobiliária?

Os proprietários das áreas ameaçadas, assim como as ONGs ambientalistas da APA suspeitam que os interesses imobiliários, com seus tentáculos subterrâneos, estão manipulando cada capítulo desse drama, que teve início na crise hídrica de 2014.


É fácil deduzir que a presença de uma represa na Fazenda Espírito Santo, que valorizaria escandalosamente as propriedades no entorno, abrindo caminho para anexação de áreas, hoje rurais, ao perímetro urbano da cidade, um duríssimo golpe na Área de Preservação Ambiental de Campinas, porém altamente lucrativo para os poderosos.  

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