O Distrito de Sousas tem a maior e mais preservada Floresta de Campinas. O remanescente de 300 hectares de Floresta Estaciona Semidecidual de Mata Atlântica, considerado a Mata Núcleo da APA de Campinas foi inserido e recomendado pelo atual Plano de Manejo, pelos governos estaduais e municipais, a ser elevado á categoria de “Unidade de Conservação de Proteção Integral Refúgio da Vida Silvestre”. Assim seria garantida a sua conservação, restauração dos corredores ecológicos e a Biodiversidade de fauna e flora existentes. Hoje ameaçada por varios fatores de pressão, fogo, falta de manejo, invasões, etc..

Ainda existe barreiras políticas para conquistar este grau de proteção, mas a APAVIVA trabalha incansavelmente na interlocução entre as esferas envolvidas, Ministério Público, Secretaria de Meio Ambiente Municipal e o proprietário original da área. A responsabilidade pela conservação dos fragmentos periurbanos da APA é do seu ÓRGÃO GESTOR – SVDS SECRETARIA MUNICPAL DO VERDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL, que vem neglicenciando esta tarefa. Os 50 remanescentes de MATA Atlantica de Campinas, protegidos pela lei da APA estão abandonados á propria sorte.

A MATA RIBEIRÃP CACHOEIRA, é o maior da APA, este fragmento florestal tem superfície aproximada de 300 ha, pertence a um único proprietário que já averbou boa parte da área como Reserva Legal e está circundada por loteamento de chácaras já implantado, fato que tem contribuído positivamente para sua proteção, pois, além de constituir matriz permeável, os moradores do loteamento através da ONG APAVIVA vem há anos cuidando da área em estreita colaboração com o Conselho Gestor da APA Municipal.  A proposta encaminhada à SMA pelo CONGEAPA E APAVIVA constitui o anexo  desta informação técnica da SMA – Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

A SMA visita a Mata do Ribeirão Cachoeira em 06 de julho de 2009. Relata que trata-se de um remanescente expressivo de floresta estacional em estágio avançado de sucessão, no qual aparentemente houve exploração seletiva sem corte raso, onde se verifica a presença de grande número de indivíduos arbóreos primitivos de grande porte, notadamente de jequitibá-branco e jequitibá-vermelho (Cariniana estrellensis e C. legalis), guaritas (Astronium graveolens), Cabreúva (Myroxylon peruiferum), figueiras (Ficus spp.), perobas (Aspidosperma polyneuron), entre outras. Este expressivo fragmento de floresta está localizado na APA Municipal Souzas-Joaquim Egídio, no município de Campinas, e abriga diversas espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção conforme já levantados em estudos científicos conduzidos por diferentes equipes de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, incluindo dissertações de mestrado, teses de doutorado, teses de final de curso e trabalhos científicos isolados. Ficou claro na visita que a comunidade científica e a comunidade do entorno está interessada na sua conservação. Segundo Thomaziello & Santos (comunicação pessoal) “a Mata Ribeirão Cachoeira é caracterizada como uma Floresta Estacional Semidecidual e localiza-se numa encosta de morro em relevo ondulado, sendo que o canal fluvial que lhe dá o nome – Ribeirão Cachoeira, atravessa a mata em toda sua extensão, indo desembocar no rio Atibaia. Nas áreas de relevo mais acidentado encontra-se uma vegetação mais conservada e, aparentemente mais diversificada. Já sob relevo menos acidentado, a vegetação parece ser menos diversificada, com afloramentos rochosos e predomínio de árvores de menor porte. Este tipo de cobertura florestal cobria, originalmente, grande parte da região da Depressão Periférica e Planalto Cristalino, mas hoje está reduzido a poucos e pequenos fragmentos.

A mata Ribeirão Cachoeira hoje te tem 300 ha, oficialmente 230 ha, que a torna o segundo maior remanescente florestal do município de Campinas, depois da Mata Santa Genebra, com 250 ha. De acordo com Santin (comunicação pessoal, 1997), foram identificadas na mata 112 espécies arbóreas, 86 gêneros e 42 famílias, sendo que duas espécies (Roupala montana Aubl. e Zantohoxylum caribaeum Lam.) encontram-se na relação daquelas ameaçadas de extinção (São Paulo, 1998). Segundo Betini (comunicação pessoal, 1997), a avifauna existente nesta mata, representada por mais de 100 espécies, indica que ela possui um alto grau de conservação, maior que a encontrada na Mata Santa Genebra. Somado a estas características, a disposição no espaço (Leste-Oeste), o grau de isolamento (três vezes inferior ao da Mata Santa Genebra), fisionomia (altura e porte), forma e grande diversidade de elementos naturais (Thomaziello, 1999) indicam que esta mata possui um alto valor ambiental, tendo grande importância como testemunho natural do ecossistema que representa e da biota regional. Desta forma, é urgente a necessidade de que lhe seja destinados programas específicos de conservação.”

Há, entretanto, uma questão formal que impediria sua elegibilidade para receber recursos da compensação ambiental: embora situado na APA, este fragmento não está em categoria de manejo de proteção integral. Esta questão seria superada se os moradores do loteamento e o Conselho Gestor da APA obtivessem para a área o “status” de Refúgio de Vida Silvestre(única categoria de proteção integral que admite propriedade privada da terra), o qual dependeria da aceitação de proposta neste sentido do proprietário ao ICMBio.

Conforme explicam METZGER e RODRIGUES (2008), apud SCARABELLO FILHO(2009): “Fragmentos naturais amplos, bem conectados na
paisagem, com uma alta riqueza de espécies alvo e que ainda não estavam incluídas dentre as Unidades de Conservação de Proteção Integral já estabelecidas no Estado de São Paulo, foram sugeridas para integrarem este sistema, através da desapropriação desses fragmentos pelo Estado e sua transformação em Unidades de Proteção Integral.”

Segue o link do PROJETO APAVIVA para a criação do REFUGIO SILVESTRES MATA RIBEIRÃO CACHOEIRA

https://drive.google.com/file/d/1WJ_8grnJBoaikWIlkPE2mYNWyctQN7d9/view?usp=sharing

Segue o link do Caderno de Subsidios para a criação da UC Municipal, baseado no pedido da ONG, após tramitar no Estado.

https://drive.google.com/file/d/1tq4yIxCZDasiWXFp6VBfWAZk1vd2eNkZ/view?usp=sharing

Segundo o Professor Ricardo Rodrigues, da ESALQ/USP, “dois critérios principais orientaram a definição das ações para conservação e restauração: a riqueza/ocorrência de espécies-alvo para conservação, e o potencial da paisagem de sustentar uma alta diversidade biológica.”

“A prioridade é manter preservados os remanescentes florestais nativos que sobraram em pé e reflorestar as áreas apontadas como prioritárias para a restauração. Mas se tiver que escolher entre uma e outra, frear o desmatamento faz mais sentido. Eu gosto sempre de frisar que a gente não pode usar a restauração para desviar a atenção da importância da conservação. Um hectare conservado é imensamente mais importante para as questões que a gente tem falado de clima, biodiversidade, etc, do que um hectare restaurado – no mesmo bioma e nas mesmas condições”, explica Bernardo Strassburg, diretor executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e um dos autores do sumário.

Desde 1985 o país perdeu 89 milhões de hectares de vegetação natural, uma média de 2,3 milhões de hectares por ano. Parte importante dos fragmentos de floresta nativa se encontram em áreas privadas. A recuperação do passivo de reserva legal na Mata Atlântica, de aproximadamente 5 milhões de hectares, pode evitar até 26% de extinção de espécies (2.864 espécies de plantas e animais) e sequestrar 1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, segundo o relatório.” Renato Crouzeilles, Ricardo Rodrigues e Bernardo Strassburg 

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